E se.

Se eu escrevesse;

O papel seria um espelho. Ele rebotaria o sentimento com uma imagem nítida e honesta.

E buscando palavras para a frase escolheria a ordem em que as colocaria, conseguiria perceber outros pontos de vista.

Me perguntaria, responderia, me contentaria, reformularia e então.

Me compreenderia.

Se eu fosse eu;

Dançaria descalça e nua no rio e no mato. Pariria meu filho quantas vezes fossem suficientes para que ele não crescesse. Engravidaria a cada dança e rejuvenesceria a cada parto.

Meu corpo físico bailaria no compasso do corpo espiritual. E o mental os acompanharia.

O tempo avançaria e retrocederia para mim e para os olhos dos que me veem. E isso faria de mim uma mulher maior.

E expandida.

Se eu tivesse filhos;

Não os criaria para o mundo, os teria para nunca mais ficar sozinha. Ninguém se imagina mãe de adolescente ou adulto. Eu não me imaginaria.

A ideia não seria que eles cuidassem de mim, mas que eu tivesse sempre alguém para cuidar. Porque é mais difícil não ter a quem cuidar do que ficar sem cuidado. Disso eu saberia.

Seria parte do plano ir mais adiante, mais adiante. Sem importar se chegaríamos ou não. Eu chegaria. E isso seria uma espécie de fim. O que acabaria; o que terminaria. E quando findasse, imagina, eu poderia estar só.

À parte o corpo, a alma seguiria. Mas eu me preocuparia com o agora.

Nesse instante eu me encontraria no meio de uma bifurcação e cada filho meu olharia para uma estrada oposta aos olhos deles.

E eu, o que faria?

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