Confesso-te

O futuro é fruto da colheita passada. Em cada constelação uma estrela ofusca a circunferência e alumia o que vem logo em seguida. É preciso ouvir o movimento. Entender o que rege a reverberação do sentimento de liberdade. Agora, existem muitos outros. Outros sentimentos, aliás, que não cabem na palma da minha mão – tranquiliza-te – os deixarei guardados em uma caixa para que tu abras no dia em que o espelho olhar-te com afronta. Tantas vezes tenho sido mesquinha querendo-te perto. Todos ao meu redor caminham com cadência de cabeça rígida, coluna ereta, como se andassem em saltos por um tapete estreito comprido e infinito. A angústia e o prazer de andar descalça me faz caminhar em círculos. Com vários ésses ao final. Uma linha reta absurda paralela a tudo aquilo que acredito faz de mim uma mulher arrogante, infame, indulgente. Ele disse, com todas as letras e eu ouvi palavrinha por palavrinha com atenção e sem o menor cuidado. Confesso-te. EU! Logo eu, que ridícula. O passado é a força da raiz do presente que pode ter um futuro fértil. Nunca fui capaz de cortar esse maldito cordão umbilical. Bendito. Mas alto lá, que eu não me acovardei! Nem eu nem tu, carrego esse orgulho. Meus olhos em lupa enxergam pedacinhos de algodão voando sobre teus pensamentos. Arranquem as camadas da minha pele, eu não me importo. Depressa caminho com tua ausência em direção a ti.

Sinto-me honesta. E por hora isso basta.

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