Sinopse

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Crédito: Pixabay

A penumbra me assusta, aliada a floresta escura, piora ainda mais. Só tenho a companhia de um cão e da neblina que atrapalha todas as chances de buscar uma saída.

Ao encontrar um único feixe de luz decido por um caminho. Então ouço batidas e vidros  partindo-se em mil estilhaços. O silêncio os faz mais intensos. Corro por léguas sem muita direção. Há pressa, agonia, susto impregnados e percorrendo minhas células. Meus ossos não aguentam tamanha pressão. Bato a cabeça em galhos e perco os sentidos. Não sei por quanto tempo permaneci ali desacordada. Fui surpreendida por um homem de estatura média, franzino e com cabelos loiros. Veste um manto e há luz refletida em seus pés. O vejo flutuar por entre as matas e entrar num casebre, local que não havia me dado conta estar ali nem mesmo o carro em frente. O ferrugem impregnado por toda a lataria me fez recordar do ferro-velho vizinho à casa que morei na infância. Era um misto de sensações que trilhavam entre o desconhecido e memorável.

Ele entra na casa. Sigo-o. Há uma poltrona a minha espera. Meu nome está impresso como se há tempos fora reservada. De frente à minha há outra. Será um júri, um tribunal? Quadros antigos e velas fazem harmonia ao restante da decoração. Olho em volta e reparo numa escada de madeira com degraus incontáveis que dão acesso ao segundo andar.

Estávamos à sua espera disse o homem. Ouço os primeiros acordes de uma música de suspense que não consigo identificar de onde vem. Sento-me e num minuto inicia-se a reprodução. Vejo-me criança num balanço na casa da vó. O disquinho das minhas histórias favoritas tocavam ao fundo. O pai construía uma casinha para mim. Nosso cachorro corria de uma ponta a outra. Tento chamá-los sem sucesso. O homem me olha no fundo dos olhos e balança a cabeça em negação. Compreendo: sou telespectadora nesta história incompreensível. Permito-me assistir àquelas ações de carinho entre pai e filha. Ele a chama para testar a nova invenção. A menina observa cada pedaço do novo reduto junto ao amigo de quatro patas e nem percebe quando ele se afasta em direção à rua. A distância vai aumentando cada vez mais. Tão concentrada naquelas recordações  não percebo quando a exibição chega ao fim. Fora a última vez que o vi ainda com vida e a primeira em que fui personagem de algo nunca antes desvendado.

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Um comentário sobre “Sinopse

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